terça-feira, 13 de setembro de 2016

Não me deixe esquecer

Nunca existirá vida melhor que essa. Eu acredito no paraíso, e que Deus tem o melhor, e que ele quer o melhor, mas... lá, não haverá mais laços de amizades, não haverá mais a chance de conhecer alguém em um ônibus, e conversar sobre o braço desse alguém que foi quebrado, e que essa tal pessoa está com medo, mas sua conversa com ela, ajuda a amenizar o medo, e você dá uma palavra de conforto, e a pessoa fica bem e desce no ponto seguinte. Lá não vai haver isso. Aproveite o que tem para se aproveitar aqui, porque não vai querer ter arrependimentos depois. Lá no paraíso, as coisas serão diferentes... Mas essa experiência, foi a melhor coisa que Deus pôde nos proporcionar.

Sempre estive pensando sobre como vai ser a morte, nunca pude evitar esse pensamento porque é inevitável. Eu vou passar por esse túnel, vou ter que enfrentar esse passeio forçado, mas o que realmente nos espera do lado de lá? A pergunta chave, esse é o cerne da questão, eu sei que pela fé, nós temos "certeza" de que há um paraíso, ou um inferno, dependendo de sua conduta e se aceitou ou não o Senhor Jesus como suficiente salvador de nossas almas. Mas, esqueçamos a fé por um instante... o que será que nos aguarda no fim da viagem? Só iremos descobrir quando morrermos, porque ninguém jamais voltou do outro lado, ninguém rasgou o véu que divide esse mundo com o mundo não tangível. Um filme que é muito interessante, ele tem uma temática espírita, Ghost- Do Outro Lado Da Vida, e mostra o quanto o personagem do Patrick Swayze sofre, por ver a Molly, personagem intepretada por Demi Moore, seguindo a sua vida sem ele por perto. É agonizante, é um carma. Se fosse assim, morrer e continuar vivvendo na terra sem poder interagir com quem se ama, existe inferno pior que esse? Não ajudar seus familiares, seus amigos, seu amor... ou imagina só, morrer e não saber que está morto, ficar revivendo seus momentos, outro carma interminável, bem como no filme, "Os Outros" com Nicole Kidman, e "O Sexto Sentido" com Bruce Willis. Tem uma série de coisas escabrosas que os filmes retratam, tentando passar pra gente uma maneira de enxergar aquela que iremos conhecer um dia, que será nosso intermédio, nossa passagem de ida, porém, sem volta.

Quanto a ter medo da morte, sim, eu tenho muito medo de morrer, é que todas as vezes que alguém fala comigo sobre o assunto, uns dizem não ter medo, outros dizem que não é medo de morrer mas sim, da dor da morte, mas lá no fundo, todos sentimos calafrios ao perceber que esse dia irá chegar querendo ou não. Voltando para o lado religioso novamente, é inegável que mesmo aquele que se diz ateu, não pense na morte em um modo místico de ser, pois mesmo não acreditando em Deus, ainda assim, sabe que a morte é inexplicável aos olhos humanos.

Acredito que a morte seja como dormir, eu sonho todas as noites, penso na morte como um sonho sem fim. Mas o que me preocupa mesmo, é que como cristão, pela bíblia, eu não vou mais lembrar das velhas coisas, e eu quero lembrar, não quero esquecer quem fui, com quem firmei os meus laços, os meus momentos, poderia tirar a parte ruim, mas tirar tudo... isso é injusto, por que nos oferecer tamanha interação, ter a chance de conhecer pessoas incríveis que não vou poder ter a eternidade com elas da forma que as conheci aqui na terra? O paraíso sem minha galera, não é paraíso. De que adianta amar o próximo como a mim mesmo, se não terei esse próximo na eternidade?
Não me satisfaz ver as pessoas, abraçá-las e ter a vaga lembrança de que a conheci na terra. Isso não basta pra mim, não sei o que Deus pensava quando nos criou, mas ele sabia exatamente que eu seria assim, e dos sentimentos que eu iria ter, e não vou mentir pra mim mesmo e dizer que me  satisfaz estar no paraíso, de que vale o paraíso sem o amor?

Tem pessoas aqui, que jamais irão ter a oportunidade de ser feliz, nunca  poderão se casar, ter filhos, ter a sensação de dever cumprido, porque as vezes, a vida é injusta, por vezes o ladrão ceifa sem piedade a vida de alguém que tinha sonhos pra si, mas não pôde colocar em prática, porque a morte fez o seu papel rápido demais. Então, o céu, é lugar de paz e gozo, harmonia e eternidade de amor, por que não se casar no paraíso? Puxa, morri, não consegui nada do que me faria feliz na terra, mas se ao menos no paraíso eu puder fazer isso sem interrupções, eu me alegrarei. Mas não é do meu jeito, o céu e a eternidade não são planos meus, o criador planejou assim, o homem pecou e por isso as coisas desandaram, e pagamos amargamente mesmo que sejamos salvos, porque nunca será como talvez, devesse ser. O House diz que, "as pessoas ganham o que ganham e não o que merecem." Talvez ele tenha razão, porque a vida sempre será injusta, e a morte sempre lavará embora sonhos e planos de felicidades, e além disso, a icógnita permanece, o que será que tem lá no fim da jornada? Eu não me importo, desde que eu esteja feliz com aqueles que se tornaram minha família aqui. A única coisa que eu não quero, é esquecer, todas as palavras escritas aqui, foram como lágrimas, derramdas diante de Deus em forma de texto, pedindo pra ele não fazer isso, não nos deixe esquecer, seria esse o maior dos castigos?



Texto escrito por Dayvs


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