sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Carta às putas

A essa hora, elas estão lá fora, as putas.
Elas não permitem que a cidade durma. Nas esquinas, nos becos, nas praças, nas sombras...
Ninguém vai te censurar, pelo menos não a essa hora.
Pessoas "comuns" não fazem sexo a essa hora?
Não pagam por prazer, não recebem por prazer, não é ? Quer dizer... não dependem de seus corpos para comer feijão, arroz e carne. Quem sabe, cobrir o corpo durante o dia, quem sabe...
Eles não vão te censurar, eles te usam também. Você é considerada uma puta, um termo pejorativo pra quem é mulher de muitos, e pra ser sincero, você é de muitos, quando não é de ninguém.

Prazer ou necessidade?
Não sei
Só sei que a cidade é sua
Só sei que o corpo é seu
Só sei que o corpo é seu e deles
Você chora suas lágrimas de "puta"
Elas caem com prazer
Assim como seu corpo nu no deles
Mulher por essência
Puta por desprazer
A noite te conhece
A noite te conhece melhor que você
Os carros, os sofás, os hotéis, os motéis...

A essa hora, fico pensando em você, não sei porque, mas dizem que a noite é dos poetas, das putas e dos solitários.
Ninguém te censura
Não a essa hora
Porque a essa hora
A cidade é das putas
E as putas fazem a cidade.



Texto escrito por Dayvs

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