sábado, 4 de março de 2017

Acordando em um funeral {Conto Autoral}

Abriu os olhos e tinha muita gente em seu quarto. Um ar gélido tocava sua pele. Olhou em volta e percebeu flores e velas, orações e choros, e não compreendia o que estava acontecendo. E ao levantar e sentar na beira de sua cama, viu sua mãe com os olhos inchados de chorar, e com um lenço nas mãos assoava o nariz. Notou que todos estavam de preto, e teve um insight. Isso é um funeral... Eu acordei em um funeral?! Quem está sendo velado? por que minha mãe está chorando tanto, se ela não tinha família alguma se não a mim? E eu estou vivo... Não estou?  E ao se aproximar do caixão, olha dentro dele e percebe algo terrível. A pessoa que estava dentro do caixão, na verdade era...


quinta-feira, 2 de março de 2017

Um tanto de prazer um tanto de fé

Sempre tentei acreditar, confesso. Mas eu não acredito mais em nada e nem sei se acreditei um dia. Crenças são importantes. Elas chegam a curar. Mas não sei se me predisponho a vestir a camisa da fé. 

Olha, Deus... Eu te amo e te devo a minha vida, nisso eu acredito, nisso eu tenho fé. Talvez eu te ame de uma maneira desajeitada e falha. E quem sabe, eu acredite no Senhor meio desacreditado às vezes, e essa fé que eu possuo seja frágil. Mas o Senhor sabe, sempre soube. Antes de eu escrever, tu tinha ciência das minhas palavras na palma da tua mão. Por muito tempo fui um servo infiel, questionador do teu poder, sempre em busca de respostas para as perguntas que eu ainda tenho e ei de ter. Eu não sou como os outros, não sigo o fluxo. Eu sofro por não seguir com eficácia o que me veio como crença desde da minha infância. Confesso ao Senhor de todo o meu coração, eu quis acreditar piamente. Eu não quis o pecado de não ser exatamente o que se é, mas eu peco. Minhas sinceras desculpas por ser quem eu sou e não negar isso ao Senhor. Encubri meus rastros por decádas. Eu joguei o pano por cima do piano cheio de poeira, ao invés de passar o pano e tirar a poeira. Eu fiz o que pude pra ser crente. E me dizem que ninguém é perfeito, quando tento justificar a minha fuga das quatro paredes divinas.

Santo Deus, tu me conheces. Conhece minha dor, minha angústia. A angústia de ser humano, porque tu passastes pelos mesmos espinhos tenebrosos há dois mil anos. Nossa distinção está exatamente em eu ser humano e tu divino. Não estou dizendo pra me entender, não estou dizendo que precisas me perdoar porque és Deus e eu um grão de areia. Mas estou pedindo perdão, estou pedindo compreensão. Peço perdão por não ser o homem santo e sem mácula. Peço perdão por querer apenas ser  homem sem crenças e sem laços. Peço perdão por idealizar meu próprio paraíso ao sair deste plano. Peço perdão por pedir perdão. E que essa minha loucura seja perdoada, por favor. Pois ainda resta em mim, um tanto de prazer e um tanto de fé, e tu sabes quem eu sou, mesmo eu não sabendo mais.